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Tóquio e as megacidades: as 10 maiores cidades do mundo em 2025

Pessoas atravessando faixa de pedestres em área urbana com arranha-céus e trem ao fundo.

Mais de 8,3 bilhões de pessoas dividem o planeta - e uma fatia cada vez maior desse total se concentra em megacidades. Na linha de frente está Tóquio. Ainda assim, a capital japonesa é apenas a face mais visível de um movimento que vem transformando continentes inteiros e redesenhando o que entendemos por vida urbana.

Recorde global em um mar de prédios: Tóquio como mega metrópole

Tóquio é considerada hoje a maior cidade do mundo. Quase 37 milhões de pessoas vivem na região metropolitana, espalhada por cerca de 8231 quilômetros quadrados. É uma área maior do que o estado de Sergipe - com uma população comparável à de um país de porte médio.

Tóquio é uma cidade de extremos: tecnologia futurista, templos históricos, multidões compactas - e, ao mesmo tempo, um país cuja população total diminui.

A capital japonesa parece um vislumbre do amanhã: letreiros de neon por toda parte, robôs atuando como atendentes, vasos sanitários de alta tecnologia e trens circulando em intervalos de poucos minutos. Ao mesmo tempo, santuários, templos e bairros tradicionais ficam a poucos passos de torres corporativas envidraçadas.

No começo, Tóquio era um vilarejo de pescadores pouco relevante chamado Edo. Quando o imperador transferiu sua sede de Quioto para lá, em 1868, a cidade ganhou o nome atual e, em poucas gerações, se transformou em um polo global de economia, cultura e tecnologia.

Idílio em meio ao concreto: Fuji e florada das cerejeiras

Apesar da escala gigantesca, Tóquio e seus arredores também oferecem cenas de natureza que parecem irreais. Um símbolo disso é a florada das cerejeiras na primavera: no Parque Ueno, mais de mil árvores desabrocham ao mesmo tempo; moradores se acomodam lado a lado sob um “teto” rosa e celebram piqueniques de hanami.

A cerca de 100 quilômetros a oeste, o Monte Fuji se impõe no horizonte. O estratovulcão de 3776 metros aparece em incontáveis cartões-postais ao lado da silhueta de Tóquio e, em dias limpos, pode ser visto a olho nu. Para muitos japoneses, ele representa uma força sagrada da natureza, um chamado kami. Trilhas de peregrinação, santuários e mirantes misturam espiritualidade e grande fluxo de visitantes.

Ao mesmo tempo, a cidade vive um ponto de inflexão: a população do Japão está encolhendo e a sociedade envelhece. Pesquisadores urbanos avaliam que, no longo prazo, Tóquio pode perder moradores - e, com isso, ceder a liderança para outras megacidades.

As 10 maiores cidades do mundo em perspectiva

A Organização das Nações Unidas acompanha regularmente as maiores regiões metropolitanas do planeta. O critério não se limita às fronteiras administrativas do município, e sim ao conjunto do aglomerado urbano. A partir de 2025, o Top 10 fica aproximadamente assim:

  • Tóquio (Japão) – cerca de 36,95 milhões de habitantes
  • Delhi (Índia) – cerca de 35,52 milhões de habitantes
  • Xangai (China) – cerca de 31,05 milhões de habitantes
  • Daca (Bangladesh) – cerca de 25,36 milhões de habitantes
  • Cairo (Egito) – cerca de 23,53 milhões de habitantes
  • São Paulo (Brasil) – cerca de 23,17 milhões de habitantes
  • Cidade do México (México) – cerca de 23,02 milhões de habitantes
  • Pequim (China) – cerca de 22,98 milhões de habitantes
  • Mumbai (Índia) – cerca de 22,54 milhões de habitantes
  • Osaka (Japão) – cerca de 18,87 milhões de habitantes

Mais de 250 milhões de pessoas vivem sozinhas nesses dez aglomerados urbanos - o que equivale, de forma aproximada, a toda a população da Europa Ocidental.

Esse quadro é resultado de uma tendência poderosa: a população mundial cresce cerca de 80 milhões de pessoas por ano. Uma grande parte desse aumento vai parar nas cidades - especialmente na Ásia e na África. Com isso, áreas rurais perdem peso, enquanto megacidades passam a ditar infraestrutura, força econômica e impacto climático.

Delhi: crescimento sem pausa para respirar

Com pouco mais de 35,5 milhões de habitantes, Delhi ocupa o segundo lugar. A metrópole se organiza, em linhas gerais, entre a parte histórica de Old Delhi e a planejada New Delhi. Esta última abriga a sede do governo e ainda exibe marcas claras da arquitetura do período colonial britânico.

A cidade está praticamente no limite de capacidade. Projeções indicam algo em torno de 43 milhões de habitantes em 2035. Todos os anos, centenas de milhares de pessoas deixam regiões rurais pobres e migram para Delhi em busca de emprego, acesso à educação e atendimento médico.

O outro lado dessa expansão é conhecido: congestionamentos intermináveis, smog intenso e ônibus e trens lotados. Há bairros inteiros formados por assentamentos informais e favelas, onde o abastecimento de água limpa, energia elétrica e saneamento funciona de maneira insuficiente. O governo tenta conter o problema - por exemplo, com ônibus e tuk-tuks movidos a gás -, mas a velocidade da migração continua maior do que a de qualquer reforma.

Xangai e Pequim: a dupla força urbana da China

Xangai – de vila pesqueira a motor financeiro

Xangai, com mais de 31 milhões de habitantes, é a maior cidade da China. Ainda no século 19, era uma pequena cidade portuária; após a abertura a comerciantes estrangeiros, cresceu rapidamente. No século 20, consolidou-se como um dos centros financeiros mais relevantes da Ásia.

A linha do horizonte, repleta de arranha-céus futuristas, fachadas de vidro e centros de compras, traduz essa trajetória. Ao mesmo tempo, entre as torres surgem templos e jardins da dinastia Ming, vielas estreitas e bairros residenciais tradicionais - uma convivência de antigo e moderno construída em poucas décadas.

Pequim – centro de poder com conta de smog

Com quase 23 milhões de habitantes, Pequim aparece pouco atrás de Xangai. No entanto, do ponto de vista político e cultural, a capital é o núcleo do país. É ali que se concentram a liderança do partido e do Estado, e de onde saem muitas das decisões que orientam a política chinesa.

Do ponto de vista histórico, Pequim está entre as grandes cidades mais antigas do mundo com ocupação contínua. Vestígios desse passado incluem a Cidade Proibida, templos imperiais e as antigas ruelas hutong - além, claro, da proximidade com a Muralha da China, que percorre milhares de quilômetros pelo território.

Durante muito tempo, Pequim foi sinônimo de poluição do ar: camadas densas de smog, escolas fechadas e uso de máscaras antes mesmo de a Covid virar referência global. Com medidas pesadas contra usinas a carvão e indústrias de grande porte, o governo reduziu de forma significativa os níveis de partículas finas. Ainda assim, equilibrar crescimento, trânsito e qualidade do ar segue sendo um desafio diário.

Daca, Mumbai, Cidade do México: quando megacidades encostam no limite

Daca – megacidade em área de inundações

Daca, capital de Bangladesh, está entre as cidades mais densas do planeta, com pouco mais de 25 milhões de habitantes. Setor financeiro, indústria têxtil e comércio alimentam um crescimento acelerado. Ao mesmo tempo, a cidade fica em uma região que sofre com chuvas de monções intensas de forma recorrente.

As enchentes atingem repetidamente os bairros mais pobres, muitas vezes sem obras de proteção suficientes ou planejamento de emergência. Para urbanismo e adaptação climática, Daca vira um caso extremo: ali fica evidente como risco climático e expansão descontrolada se reforçam.

Mumbai – Bollywood e barracos de chapa

Mumbai, antes chamada de Bombaim, é o coração econômico da Índia e capital do estado de Maharashtra. A cidade nasceu como um conjunto de ilhas; no século 19, os britânicos aterraram áreas entre elas e formaram a faixa costeira atual.

Hoje, esse espaço reúne bancos, empresas de TI e a principal bolsa de valores do país - e, ao mesmo tempo, enormes favelas. Estimativas sugerem que mais da metade dos moradores vive em assentamentos informais. Arranha-céus com apartamentos de luxo se erguem ao lado de telhados de zinco; no meio, há vielas apertadas, redes elétricas improvisadas e tubulações de água.

Mumbai também é o berço de Bollywood, a gigantesca indústria cinematográfica indiana. Estúdios, cinemas e produtoras garantem dezenas de milhares de empregos - e oferecem um contrapeso cultural às condições duras enfrentadas por muitos residentes.

Cidade do México – metrópole no cinturão sísmico

A Cidade do México se ergue sobre os vestígios de Tenochtitlán, a antiga capital asteca, em um planalto cercado por vulcões. O cenário é impressionante, mas envolve riscos: terremotos e nuvens de cinzas fazem parte do cotidiano da gestão urbana.

Cerca de 23 milhões de pessoas vivem na região metropolitana, muitas delas em áreas periféricas sem infraestrutura estável. Com frequência, o volume de lixo ultrapassa a capacidade dos serviços municipais. Parte dos resíduos é separada por catadores privados, que dependem da venda de materiais reaproveitáveis como fonte de renda.

Cairo, São Paulo, Osaka: três gigantes em três continentes

Com mais de 23,5 milhões de habitantes, o Cairo é a maior cidade da África e do mundo árabe. Entre mesquitas, bazares e edifícios altos, as pirâmides de Gizé se destacam na borda do deserto - um contraste que atrai milhões de viajantes todos os anos.

São Paulo, no Brasil, funciona como o centro industrial da América Latina. Impulsionada historicamente pelo comércio de café, a cidade atrai trabalhadores do mundo inteiro desde o século 19, incluindo uma comunidade japonesa especialmente numerosa. Hoje, serviços financeiros, indústria e eventos culturais moldam a metrópole.

Osaka, por sua vez, a segunda maior metrópole do Japão, é conhecida como capital do comércio e da comida no país. Ali surgiram estruturas importantes de mercado e se desenvolveram pratos e técnicas culinárias famosas, presentes hoje em todo o Japão. Ao mesmo tempo, Osaka enfrenta poluição do ar e subsidência do solo ligada ao alto consumo de água.

O que as megacidades representam no dia a dia de bilhões de pessoas

Megacidades movimentam a economia global, mas também concentram desafios centrais. Algumas oportunidades e riscos aparecem de forma recorrente:

  • Economia: grande concentração de empresas, melhores chances de emprego, mas também competição intensa.
  • Infraestrutura: é possível criar sistemas eficientes de transporte público, porém engarrafamentos e sobrecarga consomem tempo e energia diariamente.
  • Moradia: aluguéis caros, adensamento e expansão de assentamentos precários de um lado; condomínios e apartamentos de luxo do outro.
  • Meio ambiente: poluição do ar, resíduos e escassez de água - e, ao mesmo tempo, potencial para soluções energeticamente eficientes.
  • Social: diversidade cultural e inovação convivem com desigualdade, criminalidade e riscos à saúde.

É justamente nas maiores cidades que se define até que ponto proteção do clima, justiça social e crescimento econômico conseguem caminhar juntos. Tóquio, Delhi, Daca ou São Paulo: todas encaram perguntas parecidas - apenas com graus diferentes de pressão.

Para viajantes e observadores, essas metrópoles funcionam como janelas para possíveis futuros do viver urbano. Quem já esteve em um metrô de uma cidade com 30 milhões de habitantes, ficou preso em congestionamentos ou atravessou à noite corredores de neon entende rápido: cidade já não é apenas um lugar. Ela virou um modo de vida próprio, que deve marcar este século.

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