A Prefeitura do Porto abriu um concurso público no valor de 1,95 milhões de euros para a construção de escadas rolantes e a criação de uma nova praça nas Virtudes, conectando a Rua dos Armazéns à Fonte das Virtudes, que também passará por reabilitação.
Segundo uma nota enviada hoje à imprensa, trata-se de um “investimento de quase dois milhões de euros na instalação de quatro secções de escadas rolantes”, com o objetivo de garantir “uma mobilidade mais fluida entre a zona baixa e a zona alta” do centro histórico - especificamente no trajeto entre a Rua dos Armazéns e a Fonte das Virtudes.
A obra, sob responsabilidade da empresa municipal Gestão e Obras do Porto (GO Porto), “inclui trabalhos para a renovação da histórica Fonte das Virtudes, que remonta ao século XVII, onde será criada uma nova praça”.
Nova praça e requalificação da Fonte das Virtudes
No comunicado, a Prefeitura do Porto descreve que “o espaço vai trazer um novo contexto à Calçada das Virtudes e servir como um local de descanso para quem faz o percurso de subida. Com um novo pavimento em granito e zonas ajardinadas, o objetivo é dar mais destaque à beleza da fonte e transformar um lugar que hoje está degradado e esquecido, num espaço agradável e digno para quem anda a pé”.
Ainda sobre a praça prevista em frente à Fonte das Virtudes, o documento aponta que ela “desenha todo um novo sentido de remate ao final do eixo da Calçada das Virtudes (hoje de perfil e materialidade demasiado viária, de ambiente degradado e dissonante e, acima de tudo, sem um desenho conexo e de remate de todo o conjunto)”.
Os autores do projeto acrescentam: “O novo desenho busca retribuir dignidade à histórica fonte, conferindo também ao espaço envolvente um ambiente mais pedonal e coadunado tanto com a sua integração na atmosfera orgânica dos Jardins das Virtudes como com a estratégia geral dos novos percursos pedonais propostos”, fazendo com que a nova praça funcione “simultaneamente como digno final do percurso agora desenhado para quem sobe a partir a Rua dos Armazéns em Miragaia e como remate urbano e pedonal do eixo da Calçada da Virtudes”.
Escadas rolantes nas Virtudes e a estratégia de mecanização de percursos
A administração municipal liderada por Pedro Duarte (eleito pela coalizão PSD/CDS-PP/IL) enquadra a intervenção “numa estratégia de mecanização de percursos no eixo nascente-poente da cidade”, à semelhança do que ocorreu “nos projetos em Miragaia (Escada do Monte dos Judeus, concluída em 2020) e no Palácio de Cristal (elevador que vai ligar a Rua da Restauração aos jardins)”.
De acordo com a memória descritiva e justificativa do projeto de arquitetura, assinado pelos escritórios Pablo Pita e depA Architects, “no seu conjunto, a intervenção neste núcleo visa tornar todo o jardim das Virtudes mais fluido e de fácil acesso até à cota da Fonte das Virtudes”.
Projeto, ligação ao Miradouro e elevador cancelado
Conforme a mesma documentação, restou “apenas o desenvolvimento e a implementação da transposição desde aqui até à cota do Miradouro das Virtudes”, sendo mencionada a “falta do elevador anulado em relação à versão anterior” do projeto.
Os arquitetos defendem que “esse último momento de ligação deverá ser estrategicamente concretizado pelo município numa fase ulterior, uma vez que se entende como absolutamente essencial para o fecho do círculo de mobilidade e ligação de todo o projeto na sua globalidade”.
Regras de acessibilidade e prazo da obra
Apesar do avanço proposto, o projeto “não observa as normas legais e regulamentares do Decreto-Lei 163/2006, de 08 de agosto (Regime de Acessibilidades), ao abrigo do n.º5 do Artigo 10.º do referido Decreto-Lei, uma vez que a especificidade própria do projeto e a morfologia do terreno tornam impraticável o cumprimento das normas técnicas de acessibilidade”, embora “prevê o cumprimento das normas técnicas de acessibilidade que pontualmente são possíveis aplicar”.
De acordo com a Prefeitura, o prazo previsto para a execução da empreitada é de 365 dias, e as propostas podem ser apresentadas até 20 de junho.
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