A canícula que atinge a Île-de-France neste fim de semana vem acompanhada de um aumento acentuado da poluição por ozônio, levando as autoridades a limitar a circulação de veículos. Para quem mora ou precisa se deslocar na área do anel da A86, vale saber exatamente o que muda antes de dirigir.
Há alguns dias, uma onda de calor precoce e fora do normal se instalou na França. Por isso, a Météo-France colocou Paris em alerta laranja nesta quinta-feira, 28 de maio, com máximas previstas em torno de 35 graus Celsius nesta quinta e na sexta. Esse calor intenso afeta diretamente a qualidade do ar.
Por que a canícula eleva o ozônio na Île-de-France
Canícula e poluição costumam andar juntas. Quando a temperatura sobe e o vento quase não circula, os poluentes ficam concentrados nas camadas mais baixas da atmosfera. O ozônio, em particular, tende a se formar em grande volume quando o sol está forte: ele surge de uma reação química entre a radiação ultravioleta e emissões vindas de veículos e de atividades industriais. Com isso, as concentrações de ozônio aumentam, assim como os riscos à saúde.
Período e área afetada (A86)
A Airparif, entidade responsável pelo monitoramento da qualidade do ar na Île-de-France, estima que o limiar de informação para ozônio seja ultrapassado de quinta-feira, 28 de maio, até sábado, 30 de maio. Diante do cenário, o prefeito de polícia de Paris reuniu especialistas e representantes eleitos e definiu: as medidas restritivas entram em vigor a partir desta quinta-feira, 28 de maio, às 12h, e seguem até sábado, 30 de maio, às 23h59. Entre elas, está a circulação diferenciada.
O que muda para os motoristas em Paris
Dentro do perímetro delimitado pela A86 - com a própria autoestrada permanecendo liberada - somente veículos com selo Crit’Air 0, 1 ou 2 podem circular. Na prática, carros elétricos e híbridos plug-in, além de veículos a gasolina mais recentes, seguem autorizados.
Por outro lado, os selos Crit’Air 3, 4 e 5 ficam proibidos de circular nessa área, assim como os veículos não classificados, isto é, aqueles que não têm selo algum. Ainda assim, há exceções: veículos de resgate, de saúde, de intervenção de emergência ou que transportem pessoas com deficiência não entram nessas restrições.
Os limites de velocidade também são reduzidos em toda a malha de vias rápidas da região parisiense. Em trechos de autoestrada onde o limite normal é de 130 km/h, o máximo passa a 110 km/h. Nas vias rápidas de 110 km/h, o teto cai para 90 km/h; e onde o limite é 80 ou 90 km/h, a nova máxima fica em 70 km/h. A intenção é cortar diretamente as emissões associadas ao tráfego.
Por fim, caminhões com mais de 3,5 toneladas em trânsito não podem atravessar a área: eles devem, obrigatoriamente, contornar o perímetro pela rodoanel da região.
As outras medidas
As mudanças não param por aí. A Prefeitura de Paris também determina a gratuidade do estacionamento residencial em 28 de maio, com o objetivo de incentivar moradores a deixar o carro parado e optar pelo transporte público.
Além disso, as autoridades orientam recorrer ao teletrabalho sempre que possível e priorizar deslocamentos ativos e o compartilhamento de caronas. Do ponto de vista da saúde, a recomendação é evitar esforço físico nos horários mais quentes, permanecer em locais frescos e manter boa hidratação.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário