Praia da Baía de Espinho fica sem a Bandeira Azul
A Praia da Baía, em Espinho, uma das mais conhecidas e movimentadas do Norte, deixou de integrar a lista com Bandeira Azul - distinção que reconhece a qualidade ambiental e também as condições de segurança e de serviços nas áreas de banho. A Prefeitura afirma que “lamenta a perda” e atribui a situação à gestão anterior.
Frequentadores não mudam planos e relatam experiência na areia
Por enquanto, a informação não parece ter afetado a decisão de parte de quem frequenta a praia. No sábado, com temperaturas amenas e o mar convidando a entrar, muita gente continuou seguindo para a faixa de areia, sem dar grande importância ao status perdido. “A água está aceitável e o tempo nem se fala. Vou, mas é, aproveitar para dar mais um mergulho, enquanto não temos vento a chatear”, disse Manuel Costa, presença habitual no local, minimizando o impacto do fim do selo.
Rosa Silva, que também frequenta a Praia da Baía há anos, afirma nunca ter enfrentado problemas, embora admita alguma preocupação. “Venho a esta praia há muitos anos e nunca tive problemas”, conta. “Sei que já houve dias, nos anos anteriores, em que a praia esteve interdita. Mas espero que isso não volte a acontecer, porque fazemos muitos quilómetros para aqui chegar e, ao preço que está o diesel, é aborrecido”, acrescenta.
A temporada balnear em Espinho começa oficialmente em 1 de junho e segue até 20 de setembro, intervalo em que os serviços de vigilância, limpeza e apoio aos usuários são reforçados. Neste momento, na Praia da Baía, as passarelas de madeira de acesso à areia estão parcialmente cobertas, o que dificulta a circulação, e há alguns resíduos acumulados.
Prefeitura de Espinho aponta gestão anterior e promete recuperar o selo
Procurada pelo JN, a Prefeitura de Espinho diz “lamentar” ter ficado sem a Bandeira Azul e lembra que a atribuição “assenta num conjunto de critérios rigorosos, com particular incidência na qualidade da água balnear, cujos resultados dizem respeito à época balnear do ano anterior”. A autarquia reforça: “Importa esclarecer que os dados que determinaram a decisão agora conhecida refletem diretamente a gestão e a ausência de intervenção eficaz durante o mandato do anterior executivo municipal [de maioria PS]”, salientando que a prefeitura é atualmente liderada pelo PSD.
O município acrescenta que a perda de três Bandeiras Azuis em 2025 já indicava “um percurso de degradação progressiva que culmina agora com a exclusão da praia da Baía”.
Para o presidente da Prefeitura, Jorge Ratola, “esta é uma consequência direta de uma gestão negligente, marcada pela ausência de medidas estruturais atempadas, que comprometeu seriamente a qualidade ambiental das nossas praias e prejudicou a imagem de Espinho enquanto destino turístico de excelência”.
A atual gestão afirma estar “determinada em inverter este ciclo e recuperar o prestígio balnear do concelho”. Com esse objetivo, planeja apresentar uma nova candidatura no período extraordinário, entre julho e agosto do ano em curso, visando que as praias voltem ao programa já em 2027.
Em paralelo, a prefeitura informa que “está a preparar um conjunto de medidas estruturais e operacionais destinadas a reforçar a qualidade ambiental das praias, melhorar os sistemas de monitorização e assegurar o cumprimento integral dos critérios exigidos pelo programa Bandeira Azul”.
Em coordenação com a Agência Portuguesa do Ambiente, estão sendo preparados investimentos para requalificar e despoluir as três ribeiras do município. Segundo a autarquia, os trâmites necessários para viabilizar a intervenção já estão em andamento, numa ação há muito adiada e que este executivo considera prioritária.
Praia da Seca reconquistou bandeira azul perdida no ano passado
Em 2025, Espinho perdeu três das seis Bandeiras Azuis recebidas no ano anterior. Nesse ano, as praias de Silvalde (Pau da Manobra), da Seca e da Frente Azul deixaram de exibir o selo. Em 2026, a Praia da Seca voltou a conquistar a Bandeira Azul. Permanecem também na lista as praias de Paramos e da Rua 37. A Bandeira Azul é atribuída com base em critérios exigentes, incluindo a qualidade da água balnear, a gestão ambiental, a segurança e os serviços disponíveis.
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