Motoristas russos estão cada vez mais a alternar entre ter um carro próprio e recorrer ao aluguer, escolhendo o formato conforme a tarefa, o trajecto e as particularidades de cada cidade. Um estudo da ecossistema do Sber voltada para entusiastas de automóveis indica que as preferências de aluguer e de compra não caminham lado a lado, e que essas diferenças são moldadas pela infraestrutura local e pelas condições de deslocação.
Megacidades: flexibilidade vale mais do que posse
Em Moscou e São Petersburgo, já se consolidou um modelo completo de mobilidade urbana em que o transporte público cobre a maior parte dos percursos do dia a dia. Nesses centros, o carro entra em cena de forma pontual - para ganhar flexibilidade, poupar tempo e resolver logísticas mais complexas. Por isso, o carsharing funciona menos como substituto do automóvel particular e mais como uma ferramenta para situações específicas.
Em média, o aluguer em Moscou e em São Petersburgo dura de 30 a 35 minutos, e o trajecto muitas vezes fica limitado a 10 km. O público principal é composto por condutores de 25–40 anos, para quem velocidade, previsibilidade e facilidade de estacionamento são decisivas. Em São Petersburgo, soma-se ainda uma fatia relevante de turistas na época alta: durante a temporada, até 15% das viagens são feitas por visitantes.
Quando alugam, os moradores das megacidades tendem a optar por carros compactos, mais práticos na malha urbana densa. Entre os mais procurados estão Geely Coolray, Belgee X50 e o crossover eléctrico Volkswagen ID.4. Já na compra, os residentes da capital preferem modelos práticos e familiares do segmento de massa. No mercado de usados, lideram Kia Rio, LADA Granta, Hyundai Solaris e Toyota Camry; entre os novos, destacam-se Lada Granta, Chery Tiggo 4, Haval Jolion, Geely Monjaro e Omoda C5.
Cidades com mais de 1 milhão de habitantes: crossovers como escolha universal
Em Ecaterimburgo, Krasnodar e Nijni Novgorod, o cenário é visivelmente diferente. Como o transporte público é menos abrangente, o carro alugado passa a ser, com frequência, o principal meio de locomoção por várias horas - ou até ao longo do dia. A viagem típica dura de 2 a 4 horas e cobre distâncias de até 70 km.
Nessas cidades, as pessoas deslocam-se mais entre bairros residenciais dispersos, escritórios e áreas comerciais, o que aumenta a procura por veículos mais espaçosos. Os crossovers acabam por se tornar a opção “coringa”: lidam melhor com o inverno, com idas para fora da cidade e com variações de relevo. No carsharing, Haval H3 e Geely Coolray são os mais populares.
A mesma lógica aparece também nas compras. Nos usados, uma parcela grande recai sobre SUVs urbanos bastante conhecidos, como Kia Sportage, Nissan Qashqai, Volkswagen Tiguan, Mitsubishi Outlander e LADA Niva. Já entre os veículos novos, predominam as marcas LADA, Chery, Tenet, Omoda, Haval e Kaiyi.
Sochi: a procura ditada pelo relevo e pela sazonalidade
Na cidade turística de Sochi, a mobilidade está directamente ligada aos fluxos de visitantes. No verão e durante a temporada de esqui, a procura por aluguer cresce até 70% em comparação com a baixa temporada. No pico, o aluguer típico dura até 6 horas, e a quilometragem facilmente ultrapassa 100 km.
O relevo local - com estradas em serra, percursos de montanha e diferenças de altitude - cria uma demanda específica por carros com motores mais fortes, travagem estável e boa reserva de torque. Assim, no aluguer, aparecem com mais frequência Chery Tiggo 7 Pro e Haval Jolion. Na compra, porém, ganham peso o prestígio e a versatilidade: entre os modelos mais populares da região estão Toyota Land Cruiser, Toyota RAV4, BMW Série 3, Hyundai Solaris e Mitsubishi Lancer.
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