A Espanha afirmou nesta segunda-feira que a operação realizada nas Canárias envolvendo o navio atingido por um surto de hantavírus foi um "êxito do multilateralismo". O governo espanhol reiterou que todos os protocolos sanitários internacionais foram cumpridos, após a confirmação de testes positivos em dois passageiros retirados da embarcação.
Duas pessoas que no domingo foram desembarcadas do cruzeiro "MV Hondius" e repatriadas a partir da ilha de Tenerife, no arquipélago espanhol das Canárias, para a França e os Estados Unidos (EUA), testaram positivo para infecção por hantavírus, segundo informaram hoje as autoridades dos respectivos países.
Testes após o desembarque e repatriação
No caso do cidadão norte-americano, os EUA relataram que se tratou de um "positivo fraco" obtido ainda a bordo do navio.
Já sobre o passageiro francês, as autoridades de Paris disseram que ele começou a apresentar sintomas durante o voo de repatriação e que o teste de hantavírus feito na chegada deu positivo.
Protocolos internacionais no "MV Hondius", segundo a Espanha
Em entrevista coletiva realizada hoje em Tenerife, a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, afirmou que, dentro do navio, foram seguidos todos os protocolos sanitários internacionais. Ela citou, em especial, os inquéritos epidemiológicos e a realização de testes conduzidos por especialistas do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), que viajaram no "MV Hondius" a partir de Cabo Verde, onde a embarcação permaneceu em quarentena.
Sobre o norte-americano, Mónica García explicou que um teste resultou negativo e outro foi inconclusivo, e que os EUA optaram por tratá-lo como positivo. Por isso, segundo a ministra, foram aplicadas medidas específicas de controle e isolamento durante o desembarque e a repatriação dessa pessoa.
Em relação ao caso francês, a ministra disse que a validade das avaliações feitas a bordo não está sendo questionada. Ela lembrou que esse vírus pode ter um período de incubação de até 42 dias, de modo que os sintomas e a doença podem aparecer a qualquer momento, de forma súbita.
A regra definida para a operação, acrescentou, é que, depois de retirados do navio nas Canárias e levados aos aviões de repatriação, passageiros e tripulantes passam a seguir os protocolos sanitários dos seus países, que podem variar.
Logística da operação nas Canárias e próximos passos do navio
No domingo, 94 pessoas de 19 nacionalidades foram desembarcadas e repatriadas em oito voos.
Para hoje, está previsto o desembarque de outras 22 pessoas, de diferentes nacionalidades, que seguirão todas no mesmo voo para os Países Baixos, país do armador do navio, conforme informou Mónica García.
Isso representa uma alteração em relação ao plano inicial para esta segunda-feira, que previa a saída dessas pessoas em dois voos: um para a Austrália e outro para os Países Baixos.
A estimativa é que o avião com essas 22 pessoas decole antes das 19:00 locais (mesmo horário de Lisboa) e que, em seguida, o navio, com 32 tripulantes a bordo, siga para Roterdã, onde passará por desinfecção.
Segundo o governo espanhol, o "MV Hondius" já foi reabastecido na manhã de hoje com combustível e alimentos para conseguir partir no fim da tarde.
Quando a embarcação deixar o local, o porto de Granadilla, onde está ancorada, será desinfetado.
A ministra avaliou que a operação nas Canárias - que envolveu mais de 20 países e diversas organizações internacionais - e também o rastreamento de todos os contatos de pessoas que tiveram interação com passageiros e tripulantes do "MV Hondius" nas últimas semanas já representam "um êxito do multilateralismo e do conceito de saúde global".
"Podemos sentir-nos orgulhosos como país e das instituições internacionais", acrescentou.
O que a OMS informa sobre o surto de hantavírus Andes
A OMS confirmou até agora seis casos de infecção por hantavírus em pessoas que estiveram no cruzeiro "MV Hondius", que partiu do sul da Argentina no começo de abril. Três pessoas morreram.
Em geral, o hantavírus é transmitido por roedores infectados. A variante identificada no navio, o hantavírus Andes, é rara e pode ser transmitida de pessoa para pessoa.
No início, os sintomas da infecção costumam se parecer com os de uma gripe, como tosse, fadiga e dores de cabeça e musculares.
A OMS afirma que o risco desse surto para a população em geral é baixo.
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