Democratização da viagem e novos estilos de vida
É hora de repensar. Se, por um lado, a democratização da viagem nos permitiu “ver o mundo”, algo essencial para o conhecimento e para a valorização humana, por outro, as alterações climáticas, a crise energética, a gentrificação dos destinos e a perda de identidade dos lugares nos obrigam a refletir sobre novos estilos de vida.
Um céu saturado e a mobilidade que não desacelera
O céu já não tem descanso. Onde antes cabia o silêncio, hoje existe um corredor incessante de aviões enfileirados, suspensos, aguardando a hora de tocar o chão. Como se o próprio ar estivesse cheio demais. Como se o mundo já não coubesse dentro de si.
Ali embaixo, a cena se repete em corpos que não param: filas, portões de embarque, telas, destinos, partidas - sempre partidas. Viajar virou algo leve, simples, inevitável. E, ao mesmo tempo, nos colocou em modo acelerado.
Na velocidade de um mundo global, a mobilidade deixou de apenas atender necessidades e passou a inventá-las. Uma viagem chama a seguinte, e depois outra. Há quem não consiga ficar quieto nem por um único fim de semana. E, em muitos casos, quase se trabalha apenas para poder partir novamente.
Cidades exaustas, o custo de voar e os voos de lazer
Só que o planeta não acompanha essa pressa. Ele aquece, satura. E as cidades também se esgotam com gente que não permanece, que não mora de fato. Preparadas para o consumo rápido, acabam reduzidas a cenário de selfies e fotos de celular dos visitantes.
E, ainda assim, seguimos em frente. Queremos, com avidez, conhecer o mundo - mas será que estamos preservando esse mundo? A verdade incomoda: voar tem um custo que não aparece no bilhete. E talvez já tenhamos passado do ponto em que os danos superam as vantagens. Talvez seja hora de frear. Talvez tenhamos que limitar os voos de lazer. Redefinir o essencial. Porque a liberdade sem medida se aproxima do excesso. E o excesso, esse, raramente tem retorno.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário