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Greve geral da CGTP em Portugal pode afetar até 500 voos, incluindo 300 da TAP Air Portugal

Homem olhando painel de voos em aeroporto com bagagem e passagem na mão.

Portugal deve viver uma quarta-feira, 3 de junho, especialmente delicada para o setor de transportes, por causa de uma greve geral convocada pela principal central sindical do país, a CGTP. A paralisação tende a atingir não apenas a aviação, mas também transporte urbano, trens, balsas, hospitais, escolas e serviços públicos, com potencial de travar grande parte do país às vésperas do pico da temporada turística.

Greve geral da CGTP e a reforma trabalhista

A mobilização foi chamada em resposta à reforma trabalhista que modifica mais de cem artigos do Código do Trabalho português. Segundo os sindicatos, as mudanças abrem espaço para demissões com mais facilidade, ampliam o uso de terceirização e prolongam contratos temporários - e, por isso, significariam um recuo nas garantias dos trabalhadores.

Impacto nos voos: TAP Air Portugal e outros operadores

No transporte aéreo, a estimativa do sindicato dos comissários de bordo (SNPVAC) é que mais de 500 voos programados para o dia 3 possam sofrer impactos. Além do próprio dia da greve, a entidade alerta que a reorganização de tripulações pode provocar efeitos também antes e depois da data.

A TAP Air Portugal aparece como a empresa mais exposta, com cerca de 300 voos potencialmente envolvidos, seguida por Portugália e SATA (Açores). A adesão da tripulação de cabine foi confirmada após uma votação interna que aprovou a participação em 79%, enquanto os pilotos da TAP ainda não haviam aderido. A tendência é que os principais transtornos venham dos comissários e das equipes de solo.

A companhia informou que pretende manter 79 voos como serviço mínimo durante a greve, embora ainda não exista uma lista totalmente fechada sobre quais operações serão afetadas. Na imprensa portuguesa, a expectativa é de cancelamentos em aeroportos como Lisboa, Porto, Faro, Funchal e Ponta Delgada.

Companhias low-cost e aéreas estrangeiras

Empresas low-cost com forte presença em Lisboa, Porto e Faro - como easyJet e Ryanair - admitem que pode haver descontinuidade por causa da paralisação de tripulação e de funcionários em terra.

Ao mesmo tempo, algumas companhias estrangeiras, como Air France, Transavia e Vueling, planejam manter suas programações. Ainda assim, a oferta remanescente já ficou mais cara: as tarifas disponíveis subiram de forma relevante e chegaram a quase o dobro do preço habitual, impulsionadas pela busca por alternativas diante do risco de cancelamentos.

Remarcações e serviço mínimo anunciado pela TAP

Para reduzir os transtornos aos passageiros, a TAP ativou um programa de remarcação sem custo para clientes com bilhetes emitidos até 20 de maio de 2026 e com voos previstos para 3 de junho.

A regra permite antecipar a viagem para o intervalo de 27 de maio a 2 de junho ou remarcar para depois, entre 4 e 11 de junho, desde que haja disponibilidade e seja mantida a mesma classe tarifária. As alterações podem ser feitas pelo site da TAP ou pelos canais de atendimento, com a recomendação de realizar o procedimento antes do dia da greve.

Direitos dos passageiros pela regulamentação europeia 261/2004

Pela regulamentação europeia 261/2004, passageiros que partam de aeroportos portugueses ou que viajem em companhias aéreas europeias têm direito, em caso de cancelamento, ao reembolso integral da passagem ou à reacomodação. A norma também prevê assistência conforme o tempo de espera, incluindo alimentação, meios de comunicação, hospedagem e transporte.

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