A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) defendeu um reforço na adoção de padrões globais, a migração para equipamentos de suporte terrestre (GSE) mais modernos e um salto de digitalização nas operações de manipulação de carga em terra.
Segundo a entidade, esses três pilares ajudam a tornar o trabalho no solo mais seguro, eficiente, sustentável e resiliente. O posicionamento foi apresentado durante a 38ª Conferência de Manipulação de Carga em Terra da IATA (IGHC), que teve início hoje, no Cairo (Egito), com organização da EgyptAir.
“A manipulação de carga em terra é frequentemente invisível para os passageiros, mas quando algo dá errado, todos notam. Uma mala atrasada, uma aeronave danificada, um erro de carregamento ou um turnaround interrompido podem durar minutos, mas as consequências podem se espalhar por toda uma rede. Implementação mais forte de padrões, equipamentos mais inteligentes e digitalização são os fundamentos que tornarão as operações terrestres mais seguras, eficientes, sustentáveis e resilientes”, disse Monika Mejstrikova, Diretora de Operações Terrestres da IATA.
Adoção mais rigorosa de padrões globais (IGOM, AHM e ISAGO)
Os dados mais recentes da IATA sobre segurança na manipulação de carga em terra indicam evolução: em 2025, não houve acidente fatal ligado a esse tipo de operação e foi registrada 1 lesão grave, em quase 40 milhões de voos. Para a IATA, padrões globais seguem sendo a base para operações de solo com segurança e eficiência.
No caso de companhias aéreas e provedores de serviços de manipulação de carga em terra (GHSPs), as principais referências continuam sendo o Manual de Operações Terrestres da IATA (IGOM) e o Manual de Manipulação de Aeroporto (AHM). A entidade pediu que o setor acelere a aplicação desses referenciais, corte variações sem necessidade e amplie o uso de auditorias - como a Auditoria de Segurança da IATA para Operações Terrestres (ISAGO) - para elevar a disciplina operacional:
- Aplicar IGOM e AHM de forma consistente: como suporte à adoção, o Portal Operacional já é utilizado por mais de 1.000 usuários cadastrados, incluindo 280 companhias aéreas e mais de 700 cadastros de manipuladores de carga em terra. Em 2025, ao todo, 582 organizações informaram sua taxa de adoção do IGOM, e mais de 500 relataram alinhamento com os requisitos de treinamento do AHM;
- Diminuir variações desnecessárias: a IATA solicitou que qualquer variação seja justificada, transparente e reduzida ao mínimo. Entre as organizações que compartilharam sua análise de lacunas do IGOM, mais de 40% disseram não ter nenhuma variação. Em 2025, foi declarada uma média de 32 variações por relatório de auditoria, o que representa 8% do total de procedimentos do IGOM, principalmente ligados a procedimentos de chegada de aeronaves;
- Reforçar a supervisão por meio do ISAGO: em 2025, quase 300 auditorias foram realizadas sob o modelo ISAGO reformulado. Atualmente, o ISAGO dá suporte a mais de 230 provedores de serviços de manipulação de carga em terra, em 441 estações credenciadas, distribuídas por mais de 250 aeroportos, com mais de 200 companhias aéreas utilizando seus relatórios de auditoria.
Modernização das frotas de GSE
“Dano de aeronave em terra é um dos riscos operacionais e financeiros mais persistentes na manipulação de carga em terra, com mais de 29.000 eventos de dano de aeronave em terra relatados em 2025. A menos que reduzamos a taxa desses incidentes, os custos se multiplicarão conforme a indústria cresce. Mas a modernização não é apenas sobre tornar o equipamento mais seguro, é também sobre torná-lo mais limpo. A tecnologia pode ajudar em ambas as frentes. Duas prioridades são a transição para GSE aprimorado e para GSE elétrico”, disse Mejstrikova.
A IATA apontou duas frentes principais para essa modernização:
- GSE aprimorado: para acelerar a migração para GSE aprimorado (GSE equipado com tecnologia anticolisão), a IATA lançou, em 2024, o Programa de Reconhecimento de GSE Aprimorado. Desde então, a entidade recebeu mais de 450 candidaturas, validou 187 estações e reconheceu 75 estações por reduzirem o risco operacional;
- GSE elétrico: a IATA destaca que os maiores avanços na descarbonização da aviação virão da forma como as aeronaves são abastecidas, especialmente por meio do combustível sustentável de aviação (SAF). Ainda assim, o potencial no solo também é relevante: o GSE elétrico pode reduzir as emissões durante o tempo de giro em solo em 35% a 52%, dependendo da combinação de equipamentos e da fonte de eletricidade. A IATA publicou recentemente orientações práticas para aeroportos e manipuladores de carga em terra que estão migrando de frotas movidas a combustível para frotas elétricas.
Digitalização para operações em terra mais seguras e eficientes
A IATA avalia que dados dispersos, tarefas manuais e informação que chega tarde continuam sendo obstáculos importantes para elevar a segurança e a eficiência na manipulação de carga em terra.
“Muitos processos de manipulação de carga em terra ainda dependem de sistemas desconectados, entradas manuais e informações atrasadas. Essas lacunas nos dados criam oportunidades para erros acontecerem, malas extraviadas, aeronaves carregadas incorretamente e riscos identificados muito tarde. Dados melhores dão aos operadores a visibilidade que precisam para permitir decisões mais rápidas e melhores”, disse Mejstrikova.
A entidade destacou três frentes em que a digitalização pode gerar ganhos operacionais concretos:
- Bagagem: atualizar a forma como as informações de bagagem são compartilhadas é uma prioridade central. O recém-desenvolvido Sistema de Comunidade de Bagagem da IATA (BCS) vai conectar companhias aéreas, aeroportos e manipuladores de carga em terra em uma plataforma única, permitindo troca de dados em tempo real e maior visibilidade ao longo de toda a jornada da bagagem;
- Carregamento de aeronaves: em 2025, foram relatados quase 38.000 erros de carregamento de aeronaves. O padrão de dados X565 está atualizando o modo como as informações de carregamento são trocadas, substituindo processos manuais por fluxos digitais mais rápidos e precisos. A Boeing apoia o uso do X565 no Boeing 737, enquanto a Airbus avançou nas famílias A320, A330 e A350, incluindo futuras variantes cargueiras. Companhias aéreas que utilizam sistemas digitais de controle e reconciliação de carga têm relatado reduções de mais de 90% nos erros de carregamento, além de menos atrasos;
- Descongelamento/anti-congelamento: por meio do Grupo de Controle de Qualidade de Descongelamento/Anti-Congelamento, as companhias aéreas passaram a ter mais visibilidade sobre riscos operacionais em estações de descongelamento, apoiadas por um compartilhamento de dados mais robusto e por um novo painel do setor para ajudar a identificar perigos mais cedo e fortalecer a supervisão de segurança. O modelo segue em expansão: o primeiro grande operador dos EUA entra nesta temporada de inverno, e há maior engajamento com a China para melhorar o alinhamento aos padrões globais.
Informações da IATA
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