O que é o REMAP (remapeamento do motor)
A reprogramação de motor é uma prática bastante conhecida em carros esportivos - e também existe no setor de aviação. A Azul decidiu seguir por esse caminho.
No universo automotivo, esse tipo de ajuste é mais comum em veículos recentes, equipados com injeção eletrónica e com parâmetros como mistura, ponto de ignição e outros comandos geridos por um computador.
O chamado REMAP (remapeamento do “mapa” do motor, isto é, do gráfico/curva de desempenho) tem como objetivo alterar variáveis como a relação ar–combustível, o ponto de ignição, o comportamento por faixas de RPM e outros pontos do funcionamento. Quando o trabalho é feito por um preparador competente, é possível obter algumas dezenas de cavalos a mais e, ao mesmo tempo, melhorar o consumo - a combinação que muita gente procura: mais potência com mais economia.
No vídeo abaixo, dá para ver como a curva de potência de um Mitsubishi Lancer Ralliart Sportback se transforma apenas com o REMAP:
Como a técnica aparece na aviação: SFP, SHARP e pistas curtas
O exemplo do automóvel serve para ilustrar, mas na aviação a lógica não muda muito - e, inclusive, a solução já é usada por uma concorrente da Azul, a Gol Linhas Aéreas.
Vale lembrar que a Gol encomendou à Boeing o pacote SFP, sigla de Desempenho em Pista Curta, que concorre com o SHARP, adotado por Azul e LATAM (cujos detalhes já abordámos aqui). Em comum, esses conjuntos de melhorias procuram viabilizar operações em pistas mais curtas.
A diferença é que, no caso do SFP, não se trata apenas de alterações aerodinâmicas: também há mudanças no motor por meio de um tipo de REMAP. Esse ajuste, nesse contexto, elimina o atraso para que a potência máxima fique disponível (algo semelhante ao que se faz em carros para compensar a demora de resposta associada ao câmbio automático) e ainda reprograma o computador de bordo para cenários de pista mais críticos, como no Aeroporto Santos Dumont.
Azul reprograma motores CFM para 29 mil libras de empuxo no Santos Dumont
Conforme revelou hoje Fernando Kehl, Gerente de Frotas da Airbus na Azul, embora o SHARP traga um ganho mais significativo na operação de rotas curtas no Santos Dumont, em trechos muito longos - como SDU-Recife, por exemplo - a rentabilidade ainda é penalizada, porque não é possível levar o máximo de passageiros.
Para contornar essa limitação e operar com maior margem de segurança, a Azul conversou com a CFM, fabricante dos motores, e passará a reprogramar as aeronaves para disponibilizar 29 mil libras de empuxo, em vez das 27 mil actuais. A alteração é implementada via software, respeitando os limites do motor e preservando a confiabilidade do equipamento.
“Identificamos que, se mudarmos para 29 mil libras de empuxo, ganharemos uma extrema vantagem na operação no Santos Dumont, e estamos fazendo esta modificação agora em alguns aviões-chaves”, disse Kehl.
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