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EasyJet projeta prejuízo de 540 a 560 milhões de libras com querosene em alta e guerra no Oriente Médio

Homem de terno laranja analisa gráficos em tablet e laptop em aeroporto com avião ao fundo.

O gigante europeu da aviação de baixo custo está sentindo no caixa os efeitos em cadeia da guerra no Oriente Médio e da disparada do combustível.

A companhia britânica prevê fechar o primeiro semestre do seu exercício 2025-2026 com um prejuízo antes de impostos “entre 540 e 560 milhões de libras esterlinas”, acima dos 394 milhões registrados no mesmo período do ano passado. Embora o inverno costume ser um trecho menos rentável para empresas do segmento low-cost, desta vez a sazonalidade é só um detalhe.

Nos últimos dias, o Estreito de Ormuz - principal corredor global para o petróleo - chegou a ser reaberto, mas o Irã anunciou logo em seguida que voltaria atrás, optando novamente por impor um “bloqueio da via marítima”, segundo o jornal Les Echos.

“[…] nosso desempenho financeiro no primeiro semestre piorou em relação ao ano anterior, prejudicado pelo conflito no Oriente Médio e pela pressão competitiva em alguns mercados”, afirmou Kenton Jarvis, diretor executivo da EasyJet. Ao menos, a empresa não tenta procurar outro culpado além do óbvio, uma realidade dura para todo o ecossistema mundial de transporte.

Prejuízo da EasyJet no 1º semestre de 2025-2026: o que está pesando

O quadro combina dois vetores que se retroalimentam: de um lado, o choque geopolítico, com impacto direto no preço e na disponibilidade de combustível; de outro, um ambiente de concorrência mais agressivo em determinados mercados, que limita repasses e pressiona receitas.

Mesmo com o Estreito de Ormuz “abrindo e fechando” nas últimas semanas, o efeito prático para a EasyJet é claro: a conta de combustível subiu e a visibilidade comercial piorou, em um setor onde qualquer variação vira diferença relevante no resultado.

Preço do querosene fora de controle e demanda instável: EasyJet em plena turbulência

Só em março, as compras de querosene feitas fora de contratos de proteção (no chamado preço spot, que acompanha as oscilações do mercado em tempo real) custaram 25 milhões de libras a mais para a EasyJet, elevando em cerca de 5% o custo unitário de cada assento colocado à venda.

A empresa havia se preparado para parte do risco ao travar antecipadamente 70% da sua necessidade de combustível para o segundo semestre, a 706 dólares por tonelada. Na prática, nessa parcela, mesmo que o preço do querosene dispare, a fatura não muda. Já o terço restante fica totalmente exposto ao mercado: sempre que a tonelada sobe ou cai 100 dólares, 40 milhões de libras entram ou saem do balanço.

Como o preço do querosene quase dobrou desde o início do conflito, esse terço sem cobertura virou uma verdadeira espada sobre a cabeça da EasyJet, variando conforme o que acontece em Teerã - uma pressão que, na prática, atinge todas as companhias aéreas.

De acordo com informações publicadas pela Euronews, Willie Walsh, diretor executivo da IATA, avaliava que “no fim de maio, poderíamos começar a observar na Europa alguns cancelamentos de voos por falta de combustível de aviação”. Claudio Galimberti, economista-chefe da Rystad Energy, foi além ao afirmar à CNBC que “a situação pode se tornar sistêmica em três a quatro semanas, com supressões massivas de voos na Europa já em maio e junho”.

Reservas mais tardias e menor previsibilidade: o efeito nos voos da EasyJet

Além do combustível, a EasyJet diz ter identificado uma mudança no comportamento de compra dos passageiros, o que agrava ainda mais o cenário. “Os clientes estão reservando mais tarde, o que resulta em uma visibilidade de previsão abaixo do normal”, explica a companhia.

As reservas chegam a 63% para o terceiro trimestre e a 30% para o quarto, em ambos os casos dois pontos abaixo do observado há um ano.

Para uma empresa cujo modelo de negócios depende de prever ocupação com antecedência, essa postergação pesa: com menos visibilidade, fica mais difícil ajustar preços, planejar rotações e dimensionar equipes em solo. Em um segmento de margens estreitas, a incerteza sobre a demanda quase custa tanto quanto a própria alta do combustível.

Reação dos governos e liquidez: o que pode (e não pode) aliviar a crise

Diante de um risco que pode paralisar o transporte aéreo europeu para além do caso da EasyJet, governos começam a se posicionar. Segundo a revista Capital, Maud Bregeon, ministra delegada de Energia, declarou em 19 de abril: “Lembro que a França tem estoques estratégicos, cerca de cem dias de disponibilidade de combustível que poderíamos liberar se tivéssemos problemas de volume”.

A sinalização ajuda, mas não resolve o ponto central para a EasyJet: mesmo com o querosene disponível, ele continua custando o dobro do que antes do conflito.

Kenton Jarvis afirma que a EasyJet está “bem posicionada para enfrentar os desafios geopolíticos atuais”, apoiada em 4,7 bilhões de libras em liquidez. Isso deverá ser checado com números na mão em 21 de maio, data de divulgação dos resultados completos da empresa - em um contexto em que o Estreito de Ormuz segue alternando de abertura e fechamento há semanas.

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