A sequência de acidentes e o abandono de veículos nas ruas levou o Município de Braga a avançar para a rescisão dos contratos com as operadoras de trotinetas elétricas compartilhadas que atuam no município. Atualmente, a Câmara tem acordos com a Fastbird e a Bolt, mas a maioria em funções, liderada pelo social-democrata João Rodrigues, pretende encerrar o modelo de trotinetas de aluguel.
Município de Braga e a rescisão com Fastbird e Bolt
A proposta, que entra em discussão nesta segunda-feira na reunião do Executivo municipal, aponta “razões de interesse público, com fundamento nas perturbações à segurança rodoviária e pedonal, na degradação ambiental dos espaços públicos municipais e na inexistência de regulamentação municipal específica”. Ao JN, João Rodrigues afirmou que a rescisão ocorrerá sem direito a indenização e que as empresas terão 60 dias (dois meses) para recolher os equipamentos das vias públicas.
O prefeito (presidente da Câmara), ao justificar a decisão, sustenta: “A realidade é clara. Há acidentes. Há situações de perigo. Há trotinetas deixadas em passeios, zonas pedonais, junto a passadeiras, a dificultar a vida de quem anda a pé, de quem empurra um carrinho de bebé, de quem tem mobilidade reduzida, de quem simplesmente quer circular em segurança”. O mesmo João Rodrigues lembra que, há oito anos, quando era vereador, foi ele quem defendeu a entrada das trotinetas compartilhadas em Braga, por entender que “fazia sentido abrir a cidade a novas formas de mobilidade”.
Mobilidade suave, mas com limites
Na leitura do Executivo municipal, o tema não é a rejeição do conceito em si. Como resume João Rodrigues: “A mobilidade suave é importante”, porém “a cidade não é uma pista. Por isso, suspendemos a atividade das empresas do ramo, para regulamentarmos a sua utilização”. No documento levado para apreciação dos vereadores, além do aumento da acidentalidade, também são destacados impactos ambientais.
Impacto ambiental, abandono e acessibilidade universal
Segundo o texto da proposta a que o JN teve acesso, “No plano ambiental, tem havido abandono reiterado de trotinetas elétricas em espaços públicos, incluindo zonas pedonais, jardins, espaços verdes e, particularmente no Rio Este, situação que contribui para a degradação da paisagem urbana e natural e potencia a poluição associada à presença de baterias de lítio”.
O mesmo documento aponta ainda que “O abandono destes equipamentos tem criado, igualmente, obstáculos à livre circulação, afetando cidadãos com mobilidade reduzida, utilizadores de cadeiras de rodas, pessoas com deficiência visual e famílias com carrinhos de bebé, comprometendo o princípio da acessibilidade universal”.
Circulação desregrada
A Câmara diz estar especialmente preocupada com a “circulação desregrada” das trotinetas, sobretudo em áreas de pedestres e no centro histórico, por representar um “risco para a integridade física de peões, em especial crianças e idosos, atendendo à velocidade e à reduzida perceção auditiva destes veículos”.
Ainda que a Prefeitura reconheça que os atos ilícitos sejam atribuíveis aos usuários, argumenta que as empresas, por serem responsáveis pela exploração do serviço, deveriam manter mecanismos efetivos de controle, prevenção e mitigação desses comportamentos. Conforme a proposta, isso “o que não se tem verificado, constituindo tal omissão fundamento autónomo para a resolução dos acordos por incumprimento”.
Pressão política e números de acidentes
Durante o atual mandato, o vereador do Chega na Câmara de Braga, Filipe Aguiar, tem defendido o encerramento do contrato das trotinetas de aluguel, apontando o aumento de riscos à segurança pública e a desorganização do espaço urbano.
A GNR contabilizou 45 acidentes com trotinetas elétricas no distrito de Braga em 2025, no contexto de um total de 1900 acidentes registrados em nível nacional nos últimos sete anos, incluindo vítimas mortais, feridos graves e mais de um milhar de feridos ligeiros.
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