Em breve, quem circula pela Île-de-France poderá validar as viagens no transporte público usando o próprio cartão bancário - sem precisar de passe Navigo. Para visitantes ocasionais, como turistas, a mudança tende a simplificar muito o dia a dia.
Desde 2019, a região vem digitalizando, passo a passo, a experiência do usuário. Primeiro, com o Navigo Easy, um passe recarregável sem assinatura; depois, com a desmaterialização do passe Navigo no smartphone via NFC; e, por fim, com a compra de bilhetes diretamente no app Île-de-France Mobilités.
Open Payment na Île-de-France: como funciona
Agora, essa digitalização deve ganhar velocidade com a chegada do Open Payment, um sistema já adotado em várias cidades francesas e europeias. A presidente da Île-de-France Mobilités (IDFM), Valérie Pécresse, confirmou o plano: basta encostar o cartão bancário no validador - ele passa a servir como bilhete para ônibus, metrô ou RER. Na prática, não será mais necessário usar o cartão Navigo.
Implantação: ônibus primeiro e expansão até 2026 em Paris
Os ônibus serão os primeiros a receber a novidade - algo que já acontece em alguns deles, segundo o Le Parisien. E, até o verão de 2026, todos os veículos que circulam em Paris devem contar com validadores compatíveis com pagamento por aproximação com cartão bancário.
Litígios demais e desnecessários
Hoje, um passageiro eventual, como um turista, precisa comprar um bilhete no guichê ou nas máquinas, ou então se virar no aplicativo Île-de-France Mobilités para viajar de forma regular na região. O problema é que as tarifas e regras não são tão intuitivas, e isso faz com que muitas pessoas bem-intencionadas acabem errando. Tanto que a RATP observou um aumento relevante de litígios nos últimos dois anos.
Com o Open Payment, é só aproximar o cartão ou o telefone do validador e pronto. A medida pode ajudar a reduzir a "fraude involuntária". Ainda assim, há um custo associado: a implementação em toda a região deve representar um investimento estimado em 100 milhões de euros, com a meta de equipar milhares de bloqueios e linhas de controle em estações e paradas. Em parte por isso, as autoridades hesitaram por tanto tempo antes de avançar de fato.
Além disso, existe uma comissão bancária de cerca de 10% por transação. O tema do financiamento segue em aberto - a própria Valérie Pécresse reconheceu que a questão ainda não foi decidida. As conclusões de um estudo de viabilidade serão divulgadas em 11 de junho, e haverá uma votação no dia seguinte para escolher entre diferentes opções de implantação. Uma certeza, porém, já foi adiantada: as linhas mais turísticas serão atendidas primeiro.
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