A cascata da Associação de Moradores da Lomba funciona como um retrato em escala reduzida do que a cidade já foi. Montada com mais de 200 figuras de barro, ela reúne também diversas réplicas de pontos históricos do Porto - e recebe visitantes diariamente.
Cascata sanjoanina já montada desde o começo de junho
Como manda a tradição do São João, as cascatas voltam a aparecer nesta época do ano, e a da Associação de Moradores da Lomba está instalada desde o início de junho. O conjunto, com mais de 200 peças, ocupa a sede da instituição, no número 24 da Rua de Vera Cruz, na freguesia do Bonfim. Todos os dias, pessoas passam por ali para ver a cascata sanjoanina - inclusive visitantes vindos de outras regiões do país.
Réplicas do Bonfim e do Porto em meio às figuras de barro
Entre as figuras de barro pintadas, surgem miniaturas de referências marcantes do passado e do presente do Bonfim e do Porto. Dá para identificar as “ilhas” do bairro do Bom Retiro, os antigos lavadouros das Fontainhas, o coreto do jardim de São Lázaro (oficialmente jardim Marques de Oliveira), além dos urinois públicos que existiam junto à antiga sede da PIDE.
O cenário inclui ainda o edifício da Junta de Freguesia e várias casas históricas da área - algumas já demolidas. Também aparecem uma miniatura da Câmara Municipal, a Igreja Paroquial do Nosso Senhor do Bonfim e três das pontes sobre o Douro. “Todas as peças têm um significado”, destaca Ricardo Martins, ao apresentar com orgulho o resultado de aproximadamente um mês de trabalho.
Tradições populares, procissão e cenas bíblicas com água corrente
Além de retratar lugares da cidade, a cascata reproduz costumes e momentos tradicionais, como as rusgas, as festas dos santos populares e a procissão de São João. Nessa procissão, à frente do padre, aparecem três miniaturas de figuras atuais: a presidente da Associação de Moradores da Lomba, Marlene Arantes; o presidente da Junta de Freguesia do Bonfim, João Luís Ferreira; e o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte.
Também não faltam referências a episódios bíblicos - neste ano, construídos em musgo - como o batismo de Jesus Cristo por João Baptista. A cena ocupa uma posição central na cascata e inclui água corrente, acionada por um motor escondido sob a instalação.
Origem da cascata e trabalho coletivo na Associação de Moradores da Lomba
A prática de montar a cascata ali é quase tão antiga quanto a própria Associação de Moradores da Lomba, criada em 1977 por fundadores do Sporting Clube da Lomba. A tradição começou nos anos 80 e, desde o início, ficou sob responsabilidade do sócio-honorário Fernando Neto.
Ricardo Martins está entre os que ajudam a montar a exposição, que ocupa cerca de 10 m². Segundo ele, as peças de barro “foram todas feitas por um sócio que já faleceu”, como explica o secretário.
A associação já venceu diversas vezes o concurso de cascatas promovido pela autarquia e espera repetir o desempenho neste ano. Em 2025, o grupo terminou em quarto lugar.
Lomba: um bairro com espírito de aldeia e arraial no rinque
Ricardo Martins, que nasceu e cresceu no bairro, lembra que, no passado, “a Lomba era uma aldeia da cidade do Porto”. Hoje, a área tem cerca de 600 moradores, e essa sensação de lugar pequeno continua presente.
As ruas seguem muito tranquilas - quem passa por ali muitas vezes nem percebe que está ao lado do movimento constante da Rua do Heroísmo - e o clima de vizinhança permanece, com todo mundo se conhecendo.
Nesta noite, vai acontecer arraial no rinque da Lomba. A expectativa é receber cerca de 700 pessoas, com comida, bebida, música e fogos de artifício.
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