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Incidente grave entre Airbus A319 da Air India e Dhruv Mk III da Marinha da Índia em Port Blair (2 de fevereiro de 2024), diz AAIB

Dois pilotos na cabine de comando de um avião, com um helicóptero voando sobre o mar à frente.

Um Airbus A319 da Air India se envolveu em um incidente sério de perda de separação em voo com um helicóptero Dhruv Mk III da Marinha da Índia em 2 de fevereiro de 2024, na região de Port Blair.

De acordo com o relatório final divulgado pelo Escritório de Investigação de Acidentes Aeronáuticos da Índia (AAIB), há indicação de que as duas aeronaves podem ter passado a menos de 30 metros uma da outra durante a decolagem do jato.

O que aconteceu na decolagem em Port Blair

O A319 decolou da pista 22 em condições visuais para cumprir o voo AI-788 com destino a Kolkata. Ao mesmo tempo, o helicóptero da Marinha, em missão de treinamento, havia sido autorizado a realizar uma manobra de prática de aproximação por instrumentos (ILS) para a pista 04.

O ponto crítico descrito no documento é que o eixo prolongado da pista 04 coincide com a trajetória de decolagem da pista 22, colocando as duas aeronaves em rotas potencialmente conflitantes.

Ainda assim, as duas tripulações sabiam da presença uma da outra, pois receberam informações de tráfego.

Alertas, manobras evasivas e parâmetros de voo do A319

Cerca de dois minutos depois da decolagem, o jato passou a alcançar o helicóptero por trás. O Dhruv Mk III recebeu um alerta do TCAS (Traffic Collision Avoidance System) e, como medida para evitar colisão, executou uma curva à direita.

O relatório registra que a tripulação do Airbus A319 não recebeu aviso do TCAS. Mesmo assim, ao avistar o helicóptero visualmente, o A319 iniciou uma descida com o objetivo de evitar o choque.

Segundo a apuração, essa descida foi rápida, com taxa máxima de aproximadamente 2.800 pés por minuto, até estabilizar a cerca de 1.850 pés de altitude. Durante a manobra, o avião chegou a 245 nós (453 km/h), o que acionou o alarme de excesso de velocidade devido à configuração de decolagem, com flaps estendidos.

Comunicação com o controle e limitações de vigilância

Após o ocorrido, a tripulação do A319 relatou aos controladores: “Senhor, estávamos tão próximos do outro tráfego que era possível vê-lo claramente. Sabe, o controle errou. Estou dizendo que recebemos um alerta do TCAS e estávamos em curva à direita, cerca de 100 pés abaixo dele.”

O relatório enquadrou essa fala como “conversa inadequada com o controlador”.

A investigação também indicou que uma das unidades de navegação do A319 estava inoperante e que a aeronave operava conforme a lista mínima de equipamentos permitidos, sem confirmar, porém, se essa condição teve impacto no funcionamento do TCAS.

Além disso, o radar primário do aeroporto perdeu o rastreamento do helicóptero durante a manobra, retomando o contato apenas depois das ações evasivas.

Causa provável e recomendações do AAIB

O relatório atribuiu a causa provável ao “inadequado julgamento da situação pelo controlador de aproximação, que resultou em separação reduzida e proximidade entre a aeronave em decolagem e o helicóptero sobrevoando”.

Entre as recomendações, o documento menciona a instalação de um segundo radar em Port Blair para reforçar o controle e também uma coordenação mais estreita entre autoridades civis e militares na condução de investigações de segurança aérea.

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